Como realizar suas metas

Como realizar suas metas

Um vídeo resposta sobre a pergunta do leitor Jorge que nos questionou sobre como programamos nossas metas e acompanhamos para que sejam concluídas.

Esse assunto era para ser tratado no podcast, mas como o ultimo cast ficou um pouco grande, resolvi fazer uma resposta em vídeo.

Assista esse vídeo se você quiser conhecer algumas técnicas para poder fazer com que suas metas sejam realizadas.

Também vou apresentar o que considero o melhor canal jornalístico da internet nos dias de hoje. Os caras são o segundo canal de notícias com mais audiência da internet. Uma boa fonte de informação para você que deseja fugir das fake news.

Só um bate papo para não ficarmos o final de semana com a mente vazia.

Concluir metas
(Visitado 280 vezes, 3 visitas hoje)
Bullshit jobs – esse é seu emprego!

Bullshit jobs – esse é seu emprego!

O antropólogo americano David Graeber publicou recentemente uma tese de que mais de um terço dos postos de trabalho são desnecessários. Assim, ele acha que as atividades não manuais poderiam ser assumidas por robôs. Como tarefas de escritório, alguns setores de serviço, consultorias, financas, administração, recursos humanos entre tantos outros.

O que ele chama de “bullshit jobs“. São aqueles empregos que ninguém notaria se eles desaparecessem de um dia para o outro. Ele baseou a sua tese em auto-relatos de funcionários que executavam esses postos de trabalho.

Ele constantemente encontrou pessoas que estavam relutantes em discutir o que faziam durante todo o dia, porém algumas bebidas depois, eles entregavam que não faziam nada significativo.

Sentados em reuniões, apresentações, que ninguém precisava. Escrevendo relatórios de avaliação, que eram imediatamente esquecidos. Ou eles passavam metade do dia no Twitter, Facebook ou Youtube.

Imagina como não deve estar agora em 2018 !?!?!

Esses dias encontrei com um amigo, ele me disse exatamente a mesma coisa. Estava cansado do setor corporativo e queria buscar alguma coisa nova para empreender. Eu questionei-o, mas você tem um bom emprego, tem certeza disso? A sua resposta, foi que ele não estava feliz no trabalho, porque chegava no final do dia e ele percebia que só tinha executado bullshit job.

Graeber indicou inúmeros empregos que você poderia pensar em acabar que geraria uma economia e uma melhor administração e que ninguém notaria a sua falta.

Se os médicos e enfermeiros, cozinheiros e encanadores, professores e lixeiros desaparecerem, logo todos nós perceberíamos. Mas o departamento de relação públicas das universidades e empresas? Os lobistas? Consultores? Aquele gerente puxa saco do seu setor ? E muitos outros empregos que não agregam em nada no final das contas. Se todos eles sumissem ninguém sentiria falta.

E essa teoria pode ser vista em várias empresas da bolsa, você vê que tem empresas com quadros gigantesco de funcionários que não havia necessidade. Manchete como essas são repetidas todas as vezes quando ume empresa entra em dificuldades.

Isso foi ha 4 anos atrás.

O mercado acaba entrando numa bola de neve de contratações. Em grandes empresas, o status dos gerentes, depende de quantos outros gestores estão abaixo de você. O crescimento da empresa acaba forçando trazer mais e mais pessoais que são responsáveis pela coordenação e comunicação.

Veja só um outro exemplo, esses dias o Evernote, uma empresa responsável por um aplicativo que faz uma única tarefa: gerenciar notas. Eu utilizo-o a muito tempo e o aplicativo é bom. O Evernote anunciou que estaria demitindo 54 funcionários, que equivaleria a 15% da sua força de trabalho. Fazendo o calculo reverso chegaríamos ao montante de 360 pessoas trabalhando na empresa.

Sinceramente um aplicativo que executa uma única função precisar de 360 pessoas, ou o administrador é muito incompetente ou está repleto de bullshit jobs lá dentro.

Agora porque uma empresa não vai se auto-gerenciando e buscando cortar essas arestas evitando que a coisa perca o controle. Porque os administradores só resolvem demitir quando a crise chega. O certo seria evitar de contratar mão de obra desnecessária.

Mudanças sentimento nos postos de trabalho de 1950-presente.

Tem um Paper muito interessante do Greg Kaplan e Sam Schulhofer, confira aqui a fonte. Eles fizeram um levantamento sobre o sentimento das pessoas sobre o trabalho desde a II Guerra Mundial até hoje. E percebeu-se que as pessoas não iam mais ao trabalho apenas para ganhar um salário. As pessoas estão buscando cada vez mais se identificar com a profissão.

Outras primícias podem ser extraídas do estudo, nós podemos identificar que ao longo do tempo o trabalho tem sido menos físico e mais mental. Veja que temos uma queda vertiginosa no cansado (tired) e dolorido [acho que a tradução melhor seria desgastante] (pain) e uma subida considerável nos níveis de stress.

Nesse estudo do Kaplan e Schulhofer passo a entender os motivos por traz do pedido de demissão do meu amigo. Deve ser muito frustrante para o empregado chegar em casa no final do dia, e não ver que seu trabalho rendeu frutos. Não estou nem considerando ainda o fato do cara que trabalha num emprego que não gosta. A coisa aqui é um estagio ainda pior.

Você identificou-se como sendo um bullshit jober, não fica chateado. A culpa não é sua. Isso é dever do gestor identificar essas situações e evitar que isso aconteça.

Uma das grandes preocupações que tenho com a minha equipe é mante-los atualizados e sempre mandar um feedback do trabalho deles, para que eles possam ver os resultados.

Uma entrevista com o Graeber.
Desculpem mas não encontrei um vídeo legendado.

A ideia desse artigo não é trazer toda a teoria do “bullshit jobs”, mas apenas para despertar sua curiosidade sobre o tema. Tem diversos vídeos do Graeber no Youtube. Além deste livro na Amazon que explica toda a teoria.

(Visitado 138 vezes, 2 visitas hoje)
Ações de crescimento vs dividendos

Ações de crescimento vs dividendos

Esses dias um leitor me questionou o que seria melhor no longo prazo: uma empresa de crescimento ou de dividendos. Vou utilizar dois exemplos da bolsa americana.

Uma que preocupou-se em manter um payout baixo para poder crescer os dividendos e outra que não se preocupou. Veja o que aconteceu com cada uma delas e surpreenda-se com a resposta.

Existem alguns investidores ou “formadores de opiniões” que defendem que devemos focar em empresas que não distribuem dividendos.

Isso é uma falácia. Apesar de já ter falado diversas vezes sobre isso por aqui. Vou mostrar através de dois artigos como isso pode ser desmistificado. O primeiro artigo será esse e o segundo irei lançar mais pra frente. Portanto, inscreva-se no nosso blog para ficar por dentro.

Antes de iniciarmos, recomendo a leitura deste artigo. Onde mostro um vizinho, que descobriu tarde que esse é um mau caminho. O artigo trata de um ETF que não distribui dividendos, mas é o mesmo conceito de uma empresa de crescimento.

Definindo o que são empresas de crescimento de dividendos

Muitas pessoas confundem empresas de dividendos com de crescimento de dividendos. Os nomes são bem parecidos, oque acaba não ajudando. As primeiras tendem a distribuir fartos dividendos, tem geralmente Yields baixos e Payouts altos. As segundas, são as minhas preferidas, não distribuem fartos dividendos, mas crescem-nos por longos anos.

Os “formadores de opinião” adoram utilizar as primeiras para comparar com as empresas que não distribuem dividendos.

Temos esse outro artigo, no qual eu explico porque no longo prazo as segundas tendem a ter resultados melhores. No artigo mostrei o conceito matemático da coisa, agora vou mostrar na prática e examinar a história para comprovar isso.

Apresentando o setor

O setor automobilístico e de auto peças não tem muitas empresas com caixa e lucros consistentes. As empresas do setor são conhecidas por pagar bons dividendos nos anos em que a economia está bombando. E cortam os dividendos quando as vendas de carros começam a despencar.

Basta olhar o balanço de uma Ford – F para verificar isso. Claro que temos exceções nesses segmento, quem assina o Ex-Dividend conhece um par de exceções desse segmento.

Mas queria pegar duas empresas do segmento de auto-peças para ilustrar um pouco do que estou querendo dizer. Como uma empresa preocupada em crescer os dividendos pode ser muito mais vantajosa para o acionista que uma empresa que está preocupada em só buscar crescimento.

Na década de 90 iniciou-se uma revolução dentro do segmento automobilístico. O mercado de assento para carros estava mudando. General Motors, Ford e outras marcas americanas estavam deixando de produzir seus próprios assentos e começava um processo de terceirização.

Duas face da mesma moeda

Duas companhias dominavam essa indústria emergente de assentos automobilísticos: Lear – LEA e Johnson Controls – JCI.

Fabrica da Lear
Fabrica da Lear

Lear tinha surgido de um grande conglomerado, a empresa era grande não só em tamanho como também em dívidas.

Escritorio Johnson Controls
Escritorio Johnson Controls

Johnson Controls em contra parte, já tinha cerca de 100 anos de existência, fundadora e inventora do termostato em 1883. Entrou no mercado de assentos automobilísticos quando adquiriu a Hoover Universal em 1985.

Ambos os negócios cresceram rapidamente. Porém quando a Lear se tornou pública em 1994 já era possível ver qual balanço era superior.

Ela estava focada estritamente no segmento automotivo. Enquanto, que a Johnson Control era mais diversificada e tinha outros negócios (baterias, construção e até plástico).

O que a Johnson Control tinha naquela época, e a Lear não tinha, era os dividendos.

Comparando os resultados

Se colocarmos $10.000 investidos na Lear em 1995 em uma década teríamos $16.117. Representando um retorno total de apenas 3,9% ao ano. Menos que a metade que o S&P500 oferecia.

O mesmo investimento na Johnson Controls, com os dividendos reinvestidos daria um crescimento de $89.153 um retorno anual de 18,9%.

JCI vs LEA
JCI vs LEA

Acho que o artigo poderia se encerrar aqui. Mas vamos tentar entender o porque desta diferença tão gritante.

Veja que tomei o cuidado de pegar duas empresas equivalente de setores semelhantes e passando por momentos iguais. Não adianta você pegar uma empresa de TI e comparar com uma de automóveis para justificar seus argumentos. Precisa-se de ter coerência e comprar pares iguais. Tomem cuidado com isso porque muito “formadores de opinião” adoram falar sem dar exemplo e quando dão, utilizam exemplos totalmente desconexos do contexto.

Entendendo a diferença

Diversos fatos podem ser considerados. Primeiro Johnson Controls teve uma atração maior dos fabricantes no início. Antes do boom no setor eles já atendiam Toyota – TM, que já tinha quadruplicado o Market-Share no mercado de veículos. Depois fecharam também com Nissan – NSANY e Honda – HMC.

Toyota Marketshare USA
Toyota Marketshare USA

Em contra partida, Lear vinha capturando a maior parte dos negócios em Detroit com a GM, Ford e Chrysler. Esses fabricantes tinham 80% e caíram para 50% de Market-Share. Perdendo justamente para os orientais, os clientes da Johnson Controls.

Esse sem dúvidas era o principal fator para fazer com que os analistas optassem pela Johnson Controls. Também, Johnson Controls era dona de outros negócios enquanto a Lear era estritamente focada no segmento de auto.

Alocação de capital

Outro dos principais fatores que explica a diferença de retorno em cada Stock é como elas praticavam a alocação de capital.

Em meados de 1990, Lear gastou bilhões de dólares, maior parte proveniente de péssimos empréstimos. Pagando juros altos para comprar qualquer fornecedor de peças ligadas ao setor.

Johnson Controls também fez grandes aquisições, mas os acordos eram geralmente menores e rapidamente pagos através da geração de caixa.

Nunca pagou dividendos

Outro ponto importante é que nos primeiros nove anos com uma empresa da bolsa a Lear nunca pagou dividendos. Johnson Controls havia pago dividendos todos os trimestres desde 1887. Um fato, que com razão, a empresa nunca deixou de se gabar nos seus releases.

Lear começou a pagar dividendos em 2003, mas não durou muito, pois a sua dívida forçou a suspensão dos dividendos. Os acionistas receberam somente 10 trimestres de dividendos, totalizando $2,25 por ação. Enquanto isso a Johnson Controls cresceu os dividendos a uma taxa de crescimento anual de 11% desde 1994.

Os dividendos são um efeito ou a causa do sucesso / fracasso nos dois casos.

Causa ou efeito ?

Efeito:

  • Johnson Controls claramente tem uma alocação de capital superior. Conseguiu os melhores clientes. Além, de ter feito menores e melhores aquisições e usado muito menos dívida com um caixa mais enxuto.
  • Lear claramente falho nessa tarefa. Enquanto que a JCJ pagava crescimentos significantes nos seus dividendos, Lear com as finanças apertadas não conseguia distribuir dividendos. E quando distribuiu logo teve que cortar, pois o caixa não se sustentou.

Causa:

  • O fato de que a Johnson Controls pagava dividendos já antes da década de 90 significa que, sabia administrar melhor seu caixa. Johnson Controls tinha um compromisso com o acionista em distribuir dividendos crescentes. Por isso não podia arriscar o caixa em uma estratégia de aquisições mais agressivas, como foi feito pela Lear. Se a empresa cortasse ou eliminasse os dividendos os acionistas iriam martelar a diretoria. A pressão por resultados concretos é muito maior. O CEO precisava de fazer o negócio crescer também para manter os dividendos em alta. Os dividendos forçavam uma intensa disciplina e entrega de resultados para os gerentes da Johnson Controls.
  • Alem disso, Johnson Controls tinha estabelecido a prática de crescer dividendos todos os anos desde 1975. Os investidores não esperavam apenas que os dividendos fossem religiosamente mantidos, como também crescidos. A empresa só construía novas fabricas ou fazia aquisições que realmente fossem agregar ao caixa do negócio. Aquisições só eram fechadas se trouxessem crescimentos futuros para a empresa.
  • O investidor que até hoje não percebeu que crescer dividendos obriga uma excelência muito maior na administração do negócio, me desculpe, mas vai procurar um curso de lógica. Porque, ou você é um analfabeto funcional ou um retardado mesmo.
  • Lear não pagava dividendos antes e durante a década de 90. Sem um registro de crescimento de dividendos, pois o mercado não esperava isso dela. Sem esse compromisso a empresa se preocupou em fazer uma pilha de receita. Gastou bilhões em aquisições e comprou diversas empresas pelo caminho. Não preocupava se o negócio daria lucro. Afinal, não tinha o compromisso e a pressão dos acionistas de dividendos como a Johnson Controls possuía. Por fim, Lear construiu um verdadeiro império com $21 bilhões de receita de vendas. Porém o lucro deste império era bem decepcionante. E uma hora essa conta tem que fechar.
Johnson Controls Dividendos vs Preço ação
Johnson Controls Dividendos vs Preço ação

Johnson Controls e Lear fizeram suas escolhas no passado, e agora irão colher seus frutos. Uma em busca de fama e fortuna enquanto que o outro buscava o crescimento sustentável por causa dos dividendos.

Vocês puderam conhecer essas duas histórias, olhar os resultados ver os crescimentos e aquisições. Não temos dúvidas que essas duas rivais sempre estiveram tentando chegar no top.

Contudo, mesmo uma olhada no histórico e perspectivas dos dividendos teria direcionado aqueles investidores que buscam a independência financeira nas ações, para a ação mais lucrativa.

(Visitado 108 vezes, 3 visitas hoje)
Porque o investidor de dividendos deve ignorar preço

Porque o investidor de dividendos deve ignorar preço

Atualmente somos bombardeados com informações sobre mercado de ações em qualquer lugar que vamos, seja direta ou indiretamente tem algo ali relacionado. Você pode encontrar preço das ações e noticias sobre o mercado em muitos canais de TV, jornais, internet e até mesmo numa simples entrada num elevador.

Esse excesso de informação cria uma sobrecarga, que gera um impulso de comprar e vender ações. No entanto, isso pode ser muito perigoso para sua independência financeira. Pesquisas mostram que investidores que negociam ativamente no mercado geram retornos mais baixos que até mesmo os ETFs. Na verdade, a estratégia mais inteligente para um investidor de longo prazo é ignorar as flutuações de curto prazo nos preços e concentrar-se nos fundamentos.

Concentre-se nos fundamentos das empresas visando o longo prazo. Entender como a empresa funciona e as implicações externas sobre seu case de negócio, o problema que leva-se tempo para isso. Se os lucros estão subindo, o mercado vai premiar as empresas aumentando o seu preço e a empresa será capaz de recompensar seus acionistas com dividendos maiores.

Os preços das ações as vezes ficam separados dos fundamentos, no entanto, é quando a paciência dos investidores de dividendo é testada.

Durante a euforia do mercado acionário, os investidores fiéis aos dividendos tendem a sentir-se fora de sincronia com o resto do mercado, quando ações que não distribuem dividendos tendem a entregar temporariamente crescimentos de dois dígitos.

Como investidores de dividendos, devemos estar prontos para aproveitar desses momentos onde os preços das ações caem. Vejo esses momentos como oportunidades para adicionar mais ações ao portfólio. Depois disso eu espero pacientemente as empresas executarem suas estratégias e prosperarem, mesmo que o mercado de ações demore anos para reconhecer. Desde que os fundamentos são sólidos, e enquanto o dividendo continuar a crescer irei cada vez comprar mais.

Por exemplo, entre 1972 a 1985, as ações da Procter Gamble PG ficaram lateralizadas. O único retorno colhido pelos investidores nesses 13 anos foram os dividendos. A razão por trás deste mau desempenho deveu-se as ações da PG serem sobrevalorizadas em 1972 antes da queda, rendendo um yield de 1,3%. Em 1985, o dividendo aumentou em 233% e o preço tinha subido só 4,3%. Para os investidores originais que seguraram as ações da PG a preços abaixo do de compra tiveram um aumento do Yield on Cost.

Apesar do fato das ações da PG ficarem lateralizadas por 13 anos, os lucros foram aumentando, e portanto o negócio foi se tornando mais valioso.

Infelizmente os investidores nunca aprendem, e pelo final de 1999, Procter & Gamble (PG) foi negociada a $55 e apresentou um yield de 1,2%. As ações caíram depois de várias noticias negativas da mídia e bateram os $27, demorou 4 anos para recuperar o valor dos top histórico de 2000. Os dividendos da PG haviam subido mais de 50% durante esse mesmo período de tempo.

Para os investidores que compram a Procter & Gamble na década de 1980, estavam tendo elevados YoC. Isso significa que a volatilidade dos preços das ações deve ter assustado muitos investidores e os fundos não colocavam mais posições da PG na carteira.

Outro exemplo notável de queda nos preços enquanto os dividendos continuavam a subir foi do Mc Donalds que saiu de um top em 1999 de $49 para o fundo de $13 em 2003. Isso foi causado pela supervalorização da ação, mesmo motivo da PG, noticias e euforia do mercado fez com que os preços subissem e os yields caíssem.

Tivemos vários exemplo do que chamamos de promoção durante a crise de 2007-2009. As ações da Johnson & Johnson JNJ, McDonalds MCD e outras forneciam fluxos crescente de dividendos aos acionistas e estavam sendo negociadas cada vez mais por valores ainda mais atraentes. Os fundamentos estavam melhorando ano a ano e isso tranquilizava aqueles investidores de dividendos, apesar do fato de que parecia como se a bolsa inteira estava sendo quebrada em pedaços.

Para resumir, investidores de longo prazo devem esperar volatilidade dos preços, mesmo quando os fundamentos de suas ações estão indo muito bem. O que você precisa de saber e definir bem são os seus critérios de entrada e saída de uma ação, por exemplo, sempre que uma ação de crescimento de dividendos corta os dividendos é um sinal claro de que seus fundamentos não estão mais presentes, isso pra mim é um critério de saída que me faz vender a ação a preço de mercado independente se tem lucro ou não.

No caso da Procter & Gamble PG em 1972, 1999 e 2007, apesar do fato dos seus fundamentos estarem sólidos, preço da ação foi superfaturado, que levou a alta volatilidade, o mesmo foi para investidores de Coca-Cola KO, Wal-Mart Stores WMT e McDonalds MCD em 1999.

Outro exemplo, logo após crash de 1987, Warren Buffett começou a comprar Coca-Cola, e quando ela se recuperou ele tinha o custo médio de US $ 3,2475/ação. Para investidores de longo prazo como o Warren Buffett, o fluxo de dividendos continuou aumentando, seu YoC continuou subindo e ele começou a reinvestir esses dividendos gerando mais fluxo de caixa para a Berkshire Hathaway.

(Visitado 31 vezes, 1 visitas hoje)
Foco no poder de lucro da empresa

Foco no poder de lucro da empresa

Se você é um investidor de crescimento de dividendos, já sabe que crescer os dividendos de forma constante é só metade da história. Todas as empresas que cresceram os dividendos de forma consistente, por mais de uma década, tiveram um padrão de crescimento no lucro durante esse mesmo período de tempo.

Como um investidor de Dividendos, meu objetivo é encontrar ações atrativas que crescem consistentemente os dividendos. Eu faço isso e compartilho com meus assinantes no Ex-Dividend, saiba mais aqui. Eu pesquiso diversas empresas de forma exaustiva na lista de empresas que cresceram dividendos. São mais de 880 empresas que aplico meus critérios de seleção e vou olhando como uma lupa para cada case de negócio. Eu não me preocupo muito com os recordes de dividendos que uma empresa alcançou. Isso é um ponto positivo? Sem dúvida. Mas não é algo decisivo nos meus estudos.

Uma empresa de dividendos passa por 3 estágios durante a sua vida, vou até fazer um artigo comentando sobre isso no futuro. Eu geralmente gosto mais da empresas que estão na segunda fase, embora as vezes tenho uma quedinha para algumas que se encontram na primeira fase.

No entanto, eu tento selecionar não só empresas que tenham um registro de aumento de dividendos, mas aquelas que têm chances decentes de continuar a crescer seus dividendos pelos próximos 20 ou 30 anos. Nem toda empresa vai conseguir isso, mas para aquelas que conseguem, elas irão gerar a maior parte do crescimento de dividendos do portfólio, falei sobre os vencedores aqui nesse artigo: Porque a maioria dos investidores falham na bolsa.

A fonte oculta do crescimento de dividendos é o crescimento dos lucros. Se você é assinante do XD+ sabe que lá tem empresas que podem aumentar os lucros por ação por um longo período de tempo. Crescer os lucros por ação são o combustível atras do crescimento de dividendos.

Por exemplo, a Visa Inc, aumentou os dividendos a 10 anos consecutivos, a empresa saiu de um lucro por ação de $0,24 para $4,09 nesse último ano de 2018, enquanto que os dividendos foram mais que dobrados saindo de $0,03 para $0,78. O resto dessa diferença foi investido no próprio negócio para assim gerar mais lucros e depois poder aumentar ainda mais os dividendos.

Uma empresa que é incapaz de crescer os lucros ao longo do tempo não poderá se dar o luxo de crescer os dividendos por tanto tempo. Por exemplo Diebold (DBD) tinha conseguido aumentar os dividendos por 60 anos consecutivos até que veio a cortar em 2013. Infelizmente, a empresa foi incapaz de crescer os lucros, e a relação de pagamento dividendos atingiu os limites que uma distribuição poderia se tornar sustentável.

Como resultado a empresa manteve a distribuição em 2014 e 2015, se o investidor segue o “Jeito Viver de Dividendos de investir” ele já teria pulado fora do barco em 2014. Aí você começa a olhar para a Diebold nos dias atuais e vê que os dividendos foram cortados de 0,96 no primeiro corte em 2016, depois cortou para 0,40 em 2017 e agora está em 0,30. E o lucro? Despencou de um lucro de $1,76 para um prejuízo de $-4,66!!!

Ok Viver de Dividendos, já entendi que o lucro é importante para o crescimento dos dividendos, mas me explica como saber que uma empresa vai conseguir crescer os lucros?

Aí que está o pulo do gato, se liga que vou te explicar como matar a charada!

Vamos pegar o caso de Procter & Gamble, a empresa possui fortes marcas e relativamente tem produtos baratos que os consumidores compram com muita frequência. A maioria dos consumidores vai ficar com uma marca cuja a qualidade eles confiam e nem irão se importar com um ligeiro aumento nos preços ao longo do tempo. Se você gosta das fraldas Pampers e confia na qualidade da marca, não vai se importar em procurar um substituto para economizar 50 centavos. Com esse poder de precificação, P&G consegue repassar os custos facilmente para os consumidores. Isso resulta em lucros crescentes ao longo do tempo.

A analise qualitativa do negócio é mais importante que analisar os números. É aqui que a maioria da galera vacila. Quem acompanha as Revista do Viver de Dividendos no XD+ sabe que cada edição ao analisarmos um ativo nosso foco maior é na análise qualitativa do mesmo. Se uma empresa tem marcas fortes e fosso largo, poderá aumentar os preços e isso não afetará os lucros gerados a partir de seus fiéis clientes.

Pega por exemplo empresas de tabaco que tem vendido vício. Empresas como essas conseguem aumentar o preço de seus produtos por anos a fio. Apesar da diminuição no número de usuários ao longo dos anos, os aumentos de preços e o corte de gastos com aumento de eficiência levantou o lucro dessas empresas por décadas.

O que você deve evitar nas suas escolhas é empresas que oferecem produtos tipo commodities, empresas que podem perder liderança devido a mudanças tecnológicas bruscas, bem como as empresas cíclicas por natureza como as de commodities.

Uma empresa de commodities deixa o mercado dizer o quanto vale seus produtos, não detém o controle do mercado consumidor e portanto não tem o poder de fixação de preços como uma Coca Cola KO ou uma Colgate Palmolive CL.

É muito comum ver investidores se enganarem com essas empresas de commodities, pois os preços flutuam de acordo com as condições econômicas. Podemos ver isso mais claramente em empresas de minério, mas especialmente em siderúrgicas.

Evite também empresas que tiveram um boom temporário nos lucros, quando você analisa, não consegue ver nada mais que sorte de estar no momento certo e no lugar certo. Pegamos aí o exemplo das petroleiras que tiveram bons resultados quando o petróleo esteve em picos passados de cotação, ou mesmo empresas de ouro mais atrás que tiveram crescimento de lucros consistente por uma década para depois a commodities se reajustar novamente.

Por fim, mas não menos importante, evite empresas cujos produtos ou serviços podem ser considerados obsoletos por mudanças tecnológicas (alô galera da UGPA kkkk), pois não serão capazes de manter o fluxo de caixa crescente para continuar os crescimentos dos dividendos. Empresas de TI são exemplo clássico disto, essas empresas raramente conseguem ter vantagens competitivas que permitam crescerem os dividendos por 15 ou 20 anos seguidos.

Olhando hoje você realmente acredita que uma INTEL continuará a fornecer tecnologia em 2030, ou seus produtos estarão obsoletos ? Alias, ela já está se tornando carta fora do baralho, olhe aqui. No entanto, muito provavelmente em 2030 teremos os consumidores ainda comendo Lay’s da Pepsico (PEP).

Em resumo, uma empresa que gerência o crescimento dos lucros ao longo do tempo, será capaz de pagar aos acionistas como recompensa um fluxo crescente de dividendos. Os investidores devem analisar cada empresa detalhamento e determinar se ela tem as características qualitativas que lhe permita crescer os lucros. Se essas características são atendidas então o trabalho do investidor é ensacar na carteira esses ativos montando um portfólio bem diversificado. Quem é assinante do XD já tem isso bem mastigado, só falta engolir, feito uma boa Lay’s :)

 

(Visitado 12 vezes, 1 visitas hoje)